segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Crise



Estamos vivendo tempos difíceis... tempos de crueldade, desesperança, desamor...
Abro o jornal e me deparo a cada dia com mais notícias ruins... corrupção, violência, guerra, o drama brutal dos refugiados - vivemos hoje uma crise mundial,  que não é apenas econômica, ideológica, social, política. É também uma crise de valores,  vivemos dias em que grassam o egoísmo, a vaidade, o consumismo, o desrespeito e escasseiam educação,  fraternidade, solidariedade...
Vivemos entre o espanto e a descrença, entre a indignação e a revolta.
Falta-nos um norte... O que podemos esperar??
A crise se agrava. Nunca se viu tanta corrupção, tanto roubo, malversação do dinheiro público! Os preços disparam. O desemprego aumenta. A violência também... vive-se hoje no Rio de Janeiro uma "guerra civil" sem precedentes. Falência absoluta do Estado em todos os aspectos, não somente o econômico.
No panorama mundial as cenas são aterradoras. Assistimos em tempo real guerras, desastres naturais, ataques terroristas, desespero...
Isso tudo me faz lembrar um trecho do Evangelho de Mateus, no capítulo 24,  também conhecido como "sinal dos tempos" em que o Cristo, entre outras coisas, nos diz que "nação se levantará contra nação, e reino contra reino, haverá fomes e terremotos em vários lugares" e mais adiante diz:   "ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias", numa clara referência ao sofrimento das mães pelo futuro incerto de seus filhos nesses dias difíceis que viriam...
E eis que esses dias chegaram! E vieram com surpresas inimagináveis, como a eleição do novo presidente americano, para espanto e temor de muitos...
"E são chegados os tempos"... diz uma música que eu amo.
Chegou o tempo, agora mais do que nunca, de agirmos no bem! De vibrarmos amor e paz para o nosso planeta, nossa Terra, nossa escola!
Precisamos começar agora, sem demora, a revolução silenciosa do amor.
Nestes tempos em que a violência virou banalidade, em que as cenas tristes são vistas nas telas de nossas tvs diariamente e a muitos já não chocam mais... tempos em que os valores que realmente importam perderam a primazia nas famílias... tempos difíceis de agressividade gratuita, sexo banalizado, corrupção generalizada, precisamos urgente fazer uma corrente e caminharmos juntos na "contramão" dessa avalanche... precisamos ser a voz que se levanta, pacificamente, contra o que está posto... as mãos que realizam, o pensamento que se eleva, o coração que acolhe!
Penso com tristeza nas milhares de  pessoas que largaram seus lares, suas famílias, amigos, amores... deixaram TUDO! E caminham sem rumo, sem saber o que virá, contando unicamente com a esperança de dias melhores, de recuperarem a dignidade humana, o respeito... caminham para fugir da morte e do terror de uma guerra insana.
Doloroso demais ver aqueles botes frágeis repletos de homens, mulheres, crianças...
Em pleno século XXI assistimos perplexos a este exôdo cruel!!
O que nós, que estamos tão distantes podemos fazer? Perguntarão alguns...
Podemos orar, pensar positivamente. Emanar amor. Vibrar por esses irmãos (sim, eles são nossos irmãos, não importa a etnia, a crença, a distância!), que vivem essa trágica realidade, desejando que o mundo desperte, que sejam acolhidos, que seus sofrimentos sejam abrandados...
Precisamos sintonizar com o amor, vivenciá-lo, emaná-lo... pensamento é vida, é força criadora, energia que se espraia...
A crise do mundo é também uma crise de falta de amor!
Temos que cuidar para que nosso amor não esfrie, como previu o Cristo (..."devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará... mas aquele que perseverar até o fim será salvo!" Mateus, 24:12,13).
Perseverar, até o fim! Amar, ainda que doa. Amar, ainda que não nos compreendam, ainda que seja um desafio.
Sem desânimo. E se o abatimento vier, que possamos pedir ajuda, buscar a sustentação na prece, na família, nos amigos... e prosseguir!
Há que se ter esperança, por mais difícil seja a realidade. E precisamos ser arautos dessa esperança, em meio a tanta revolta e queixas. Ser quem enxerga além, e, por isso, mantém a serenidade.
O mundo já atravessou épocas sombrias, em que a perversidade, a ambição e a ignorância fizeram milhões de vítimas. Mas sempre houve superação. Sempre chegou ajuda, de diferentes maneiras... e a Humanidade se reconstruiu!
Deus age por diversas formas, inimagináveis e incompreendidas por nós, mas age!
Diz um ditado popular... "no fim, tudo dá certo... se ainda não deu certo, é por que não chegou ao fim."
E sabemos que não há um "fim" - mas encerramento de ciclos, para dar início a um novo tempo.
A Terra passa por uma transição, um momento que se mostra desafiador - mas chegará ao porto. Jesus está no leme. E quando nos sentirmos cansados, lembremos de suas palavras, tão consoladoras para esses dias que atravessamos: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo - eu venci o mundo!"

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Mudanças...


Todos na Terra tem seu quinhão de dor... sem regime de exceção...
A Terra não é uma "estação de férias", embora muitas pessoas se comportem como se estivessem em permanente recreio.. até que chegue a visita indesejada da dor! 
Até o momento de despertar e compreender que viemos aqui para crescer, para algo mais que dormir, comer, namorar, trabalhar... viemos para nos tornarmos melhores - e crescer dói!
Há quem suporte dores acerbas com um sorriso nos lábios, com olhar sereno, a tal ponto que  quem não saiba ou não conheça, não suspeite as dificuldades que enfrenta, as dores morais que carrega!
E há os que gritam, "esperneiam", revoltam-se, reagem como crianças mimadas - mas não conseguem livrar-se da dor... pelo contrário,  a inconformação faz doer mais!
Se algo a vida me ensinou é que aceitar dói menos, que vale mais a pena perguntar-se "para que?" ao invés de "por que?"...  Para que isso está acontecendo? Que lição veio me trazer? O que devo modificar?  Muitas vezes não entendemos o por quê dos acontecimentos... resta-nos seguir adiante e enfrentar o que chega sem aviso, sem convite, o que chega de improviso e muda nossa vida... sem perder a fé, sem perder a esperança, cultivando a certeza de que as mudanças que não escolhemos e que nos são impostas, de alguma forma vem nos mudar e a nossa vida para melhor - ainda que de início não compreendamos!
Como diz a belíssima "oração da serenidade", devemos pedir ao Pai serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar... coragem para modificarmos aquelas que podem ser modificadas... e sabedoria para distinguir umas das outras!
Entendi, ainda que tardiamente (ah como queria ter entendido antes!), que na vida, de fato, só posso mudar a mim mesma... que não se pode mudar a ninguém, nem aos fatos que estão postos, sobre os quais não temos domínio!
A mudança é um roteiro individual, no qual  cada um é seu próprio roteirista, diretor e ator principal.  
Mudar é decisão que parte de dentro para fora... leva tempo, maturação, por que decidimos mudar mas o "homem velho" ainda habita em nós!  É uma decisão que precisa vir acompanhada de perseverança e de auto-perdão, por que mesmo desejando fazer diferente ainda incidiremos algumas vezes no mesmo erro. É ensaio, erro e acerto, repetição, repetição, repetição... 
Aprendi que posso mudar a forma de ver as coisas, de "sentir" os fatos - aprendi a não levar para o lado pessoal! Aquilo que o outro diz ou faz não é necessariamente "para mim", mas é o conteúdo pessoal dele, é o que ele tem a ofertar - e não é exclusivo para mim, mas para todos. Se repararmos bem, o arrogante será arrogante com todos à sua volta (exceto com aqueles que são mais poderosos que ele), o mentiroso mentirá repetidas vezes, para várias pessoas, não só para nós... quem gosta de falar mal, de apontar o dedo, de ver o lado negativo, age assim com todos... não levar para o lado pessoal economiza muitos dissabores, mágoas infundadas, tristezas desnecessárias!
Sempre ouvi minha mãe dizer duas frases, que hoje compreendo a sabedoria delas: "cada um na sua"  e  "cada um dá o que tem".
Partindo dessas duas premissas, hoje sei que cada um se encontra de fato "na sua" - no seu campo vibratório, na sua sintonia, sua faixa de interesses - e atrairá os iguais (como dizia uma querida amiga "lé com lé, cré com cré"), e muitas vezes a dificuldade de relacionamento, as decepções e ressentimentos vem do fato de não compreendermos que cada um tem o direito de estar "na sua" - todos temos o livre arbítrio, e cada um faz as suas escolhas! E se eu não me adapto, se não compartilho aquela sintonia, devo afastar-me  - simples assim!  
Hoje compreendi também a profundidade que há na afirmação "cada um dá o que tem"... e entendo que às vezes a pessoa nos faz um mal não por "maldade" premeditada, às vezes nem pretendia nos ferir! Mas pelo simples fato de que traz o interior conturbado, desequilibrado, amargurado. Às vezes as pessoas ainda não aprenderam a ser boas, generosas, a perdoar, a serem fraternas - ninguém consegue por muito tempo negar a sua própria natureza!  Muitos de nós somos diamantes brutos, sem brilho e com muitas impurezas... outros já estão no trabalho de aperfeiçoamento, com visíveis melhorias... e alguns poucos já tem seu brilho próprio, por que conquistaram, por que batalharam, por que cumpriram o seu processo de crescimento...
Certo é que todos nascemos para brilhar... "Brilhe a vossa luz" - disse-nos o Mestre.
E não há como conquistar o brilho sem mudar... sem as necessárias transformações.
Tenho mudanças a fazer... algumas já consegui realizar, outras estou tentando anos - mas refletindo sobre isto vejo que o fato de reconhecer que há trabalho a fazer, que o desejo da mudança precisa sair do campo do "desejo" e passar para a ação, já é um primeiro passo... por que observo que há muitas pessoas que nem sequer se dão conta de que precisam mudar - que simplesmente estagnaram!
Sinto que as mudanças urgem... o tempo avança inexorável!
É  preciso arregaçar as mangas e começar. Disciplina, muita disciplina... para conquistar o brilho que é nosso destino!
Lembro-me de Caetano, em sua música-poesia, "oração ao tempo":
"De modo que o meu espírito
 Ganhe um brilho definido
 Tempo Tempo Tempo Tempo
 E eu espalhe benefícios..."

 
   


domingo, 6 de dezembro de 2015

Gratidão

 
Li certa vez que a gratidão deve ser um sentimento permanente em nossas vidas... hoje compreendo que, de fato, ela é um sentimento que quanto mais cultivamos, mais felizes nos sentimos!
Aprendi com minha mãe uma frase pequena, simples, mas de grande profundidade. Diante das dores e desafios, às voltas com qualquer dificuldade, ela sempre diz: "Aceita e agradece!"
Custei a entender o sentido profundo disto!
Agradecer por tudo, seja o que for...
Desde as mínimas coisas, como o cheiro de terra molhada, uma brisa leve que nos refresca, a simplicidade da flor, a beleza de uma paisagem (e isso torna-se ainda mais especial quando aprendemos a ver beleza nas paisagens cotidianas!)... até às conquistas mais difíceis ou mais importantes de nossas vidas!
Hoje, já tendo atravessado meio século de vida, percebo que quando agradeço ao invés de reclamar, quando me conecto com a gratidão, com o amor, com a bondade, tudo fica mais fácil, flui melhor.
Hoje sei que tudo - absolutamente tudo - vem nos trazer um aprendizado, ainda que seja uma experiência difícil... o sublime aprendizado do perdão, da tolerância,  a arte de compreender melhor as pessoas, de entender suas fragilidades (tais como as nossas - nem mais nem menos!), a grande lição da superação, a percepção de que somos mais fortes do que pensávamos!
Enfim, como diz Paulo em sua epístola aos Romanos:  "tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus"!
Há também um outro trecho dos escritos de Paulo (como são profundas suas cartas, quanta riqueza a explorar!),  desta vez quando escreve aos Tessalonicenses, em que afirma: "Em tudo dai graças, por que esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco".
Um coração grato é um coração repleto de amor... e mais ainda: de entendimento espiritual!
Sabemos que viemos de longo curso... que somos espíritos imortais numa viagem sem fim.
Aprendi com a Doutrina Espírita que, embora não consiga muitas vezes compreender as razões da dor que me visita (ou a um amigo, um familiar...), embora às vezes surja a vontade de reclamar e achar que "é demais", as razões existem - e são justas!!
Deus é Perfeito em todas as coisas... por que erraria justamente comigo??
Descobri depois de muitas lágrimas e algumas "cabeçadas" que o segredo está na resignação, está em não reclamar... está, enfim,  na velha e conhecida frase que há tantos anos ouço minha mãe dizer: "ACEITA E AGRADECE"!
Quando conseguimos de fato nos imbuir desse conceito, quando conseguimos compreender a magnitude disto, advém uma tranquilidade incrível!
E, por que temos conosco a esperança, a nossa aceitação é ativa, não passiva!
Aceito o sofrimento que me visita. Agradeço por que sei que a experiência é necessária ao meu crescimento, mas vou buscar formas de supera-lo, vou aprender maneiras de lidar com ele, vou procurar entender a lição que ele me traz... e, acima de tudo, vou ter consciência dos ganhos!
Ouvi certa vez de uma grande amiga que o câncer fez dela uma pessoa melhor... fiquei feliz em ouvir isto, pensei que minha amiga, que venceu a doença, soube tirar dela a melhor parte, soube entender que lições a doença lhe trouxe, quais os "convites" (ou seriam "intimações"?) que a vida lhe fazia naquele momento...
Ah... a gratidão!
Quão grande ela é! Quantos benefícios nos traz!
Gratidão por tudo e por todos. Gratidão pela vida, esse presente tão valioso! Gratidão por haver tanto amor em nosso caminho... e também por sabermos lidar com o desamor, com a falta de afeto, com a inveja, com todas as fragilidades tão humanas, entendendo que cada um dá o que tem e que aquilo que vem do outro é dele - pertence a ele e não a mim! - mas o que ofereço de mim para os outros, para o mundo, para a vida, é o que vai "falar" por mim, de quem eu sou, dos meus valores,  é o que demonstrará o que levo na mente e no coração!
Aprendi a duras penas a não sofrer pela incompreensão alheia!
Se o outro não me entende, se me julga mal, se não avalia bem as ocorrências, o problema está com ele, não comigo! Faço o meu melhor. Sim, posso melhorar - sempre podemos! Mas não vou me agredir, não me modificarei  para satisfazer o outro! Tenho meu ritmo, procuro crescer a cada dia, aparar arestas... enfim tento ser melhor - às vezes consigo, às vezes não. É da vida, faz parte do processo de aprendizagem.
Sou aprendiz e não me envergonho disto! 
E com a humildade de uma aprendiz que ainda está nos primeiros passos, quero dividir esta valiosa lição, que sempre ouvi dos lábios da minha mãe, que li diversas vezes em textos de espíritos tão grandiosos... mas que só quando consegui praticar de verdade é que me dei conta do quão libertadora é: por tudo dar graças, seja o que for, pela alegria ou pela dor, pela saúde ou pela doença, pela escassez ou pela fartura - por que quanto mais agradecemos, mais podemos sentir a harmonia da vida e a doce certeza de que o Amor do Pai vela por nós.
Gratidão cura e liberta!



domingo, 18 de outubro de 2015

A difícil arte de encerrar ciclos!


                      
 
Como é difícil fechar ciclos!
Ainda que eu perceba a necessidade de fazê-lo, ainda que eu observe a natureza, cheia de exemplos, de que a vida é feita de ciclos... as marés cheias e vazantes, as estações do ano, as fases da lua... a rosa que do broto transforma-se em flor exuberante, para depois perder o viço e cair da haste... ainda assim dói!
Não tem jeito. Faz parte do crescimento. Temos que aceitar.
Fico a me perguntar por que é tão doído. O que foi que não aprendi ainda... por que é tão difícil aceitar a finitude – de tudo e de todos?
Já tive em minha vida tantos ciclos... a infância cheia de risos e fantasias, a adolescência cheia de conflitos, o casamento na flor de juventude... os filhos, deliciosa experiência! O acordar de madrugada,  para ver se estão respirando...rs... As primeiras palavras, as descobertas, as festas escolares... a adolescência e seus enfrentamentos...  a primeira paixão... a idade adulta e os primeiros compromissos – cada fase tem seus encantos!
E de repente quando percebemos também nós encerramos nossos ciclos, enriquecendo-nos com experiências, algumas bem difíceis! Quando se vê, já não há mais criança em casa... o tempo passa, “cochilamos” um pouco e, quando despertamos, nossos jovens já viraram adultos e o ninho já está ficando vazio! Festas, viagens, programas, namoros, fins de semana com amigos... A casa ficou grande demais!
Tudo é tão temporário... tão fugaz! O tempo, esse “Senhor das Horas”, passa rápido demais!
Quando percebemos estamos maduros... daqui a pouco perderemos o viço... e como a rosa, um dia, deixaremos a haste.
E neste caminho vamos fechando ciclos, encerrando etapas,  despedindo-nos de pessoas queridas... Nosso olhos rasos d´água vêem partir os nossos amores... alguns para a eternidade, outros por escolha própria.
A vida segue seu curso. O rio desagua no mar – não há nada que o impeça!
Diante dessa “fatalidade” fico a me perguntar: por que é tão difícil? Qual  parte do DESAPEGO eu ainda não entendi?
Sei que somos imortais. Sei que um dia nos reencontraremos e que o tempo que vivemos hoje com nossos amores é tão importante que por isso se chama “presente” – embora muitos não se dêem conta disso... estresses desnecessários, brigas por motivos banais... e assim vamos desperdiçando o presente que recebemos!
Diante da fugacidade da vida, das coisas, das pessoas, das situações, fico tentando me colocar no alto da montanha e ver tudo isso “de cima”, de outro prisma... se nem sempre consigo é por conta das inúmeras imperfeições que carrego.
O homem sábio consegue... Sabe ver o diamante no carvão. Sabe esperar o concurso do tempo. Não se agasta, não desanima, sabe que tudo tem um “porquê”, ainda que não compreenda.
Tento aprender estas lições. Leio. Oro. Me esforço.... nem sempre consigo!
Preciso fechar alguns ciclos e preciso aceitar a finitude!
Já percebi ao longo da vida que quando a gente aceita dói menos... já perdi amigos que jamais pensei que se afastariam, já vi ir embora um grande amor, por escolha própria... já vi a traição de perto, de quem menos esperava! Já fui desvalorizada, prejudicada... E percebi que aceitar os fatos é o primeiro passo para livrar-nos da dor. Aprendi que as pessoas são como são e cada um dá o que tem. Aprendi que o erro sempre foi meu, por criar expectativas, por não enxergar o outro como ele era... por não compreender a natureza humana!
De cada episódio tirei uma lição... algumas se repetiram para que eu pudesse aprender direito! Rs
Aceitar.... aceitar... e aceitar!
É como diz minha mãe, do alto dos seus oitenta e sete anos: “Aceita e agradece!”
Penso em todas estas pessoas sofrendo com a guerra. Irmãos de caminhada que de repente, sem outra escolha possível, estão sendo obrigados a encerrar ciclos tão importantes... a deixarem para trás um lar, familiares, amigos, lugares queridos, referências de uma vida inteira! Me envergonho por sofrer por tão pouco!
Confio no Deus da Vida. Naquele que é o princípio e o fim. O alfa e o ômega. Que tudo sabe, que tudo vê, a tudo preside.
E é essa confiança que me move. Que me anima a levantar a cada dia, ainda que cansada, às vezes desanimada, às vezes triste... há um porquê, penso eu – e é justo! E isso me basta.
Fechar ciclos. Encerrar fases. Re – começar!
As lágrimas? Tenho fé que servirão para adubar o jardim dos meus sonhos... onde ainda nascerão muitas flores!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

De repente cinquenta!






De repente cinquenta!
O tempo passou rápido demais...  ainda vejo em mim a criança que brincava com bonecas, que catava  conchinhas à beira de uma lagoa... ainda vislumbro a adolescente insegura,  descobrindo a poesia e sonhando com o magistério...  a jovem professora cheia de ideal e amor! Ainda me lembro da alegria do primeiro emprego... e de todos os que vieram depois! Lembro o deslumbramento do primeiro amor... o segundo amor... o casamento, os filhos – doces presentes que a vida me deu!
E olho para trás e percebo que a vida fluiu tão ligeira!  Apesar disso, cada conquista, cada dor, cada dificuldade, cada alegria... tudo foi tão “saboreado”!
Cinquenta anos... meio século de pequenas alegrias que se renovam a cada dia!
Experiências que consolidaram a minha fé, que me fizeram mais madura, que me trouxeram tantas reflexões, tantas vivências, tantos aprendizados... e a certeza de que ainda me sinto “criança”,  ávida por conhecer tantas coisas, com tanto a aprender...
E se no “invólucro” houve algumas perdas,  no conteúdo houve tantos ganhos!
A maturidade nos traz paz de espírito. Não a paz da ausência de lutas, de desafios, de dores... mas a paz que se alcança quando se tem mais paciência para esperar os resultados, quando se aprecia as pequenas belezas do caminho, quando se tem mais compreensão e menos julgamentos.
Aos cinquenta já é mais do que hora de se fazer um “balanço” – de se contabilizar acertos e erros, onde triunfamos e onde falhamos, onde poderíamos ter nos dedicado mais, onde exageramos, o que não avaliamos bem, o que deixamos pelo caminho e que não deveríamos ter deixado... alguns sonhos, projetos, ideais. Também é um bom momento para nos perguntarmos o que precisamos mudar, o que precisa ser reconstruído, que mudanças precisamos implantar para que a vida fique ainda melhor, mais leve, mais prazerosa... por que aos cinquenta, se conseguimos aprender algo, se “as fichas já caíram”, sabemos que a vida é para ser bem vivida, curtida a cada momento... sabemos que a vida é uma grande chance, oportunidade valiosa que não vale desperdiçar!
E quando nos damos conta, entre alegria e susto, que já se passou meio século, percebemos que uma urgência se impõe: ser feliz!
E ser feliz, para mim, é estar conectada comigo... é saber o que quero, o que me dá prazer, alegria, satisfação... é poder enfrentar os desafios de cabeça erguida, sabendo que estou fazendo o meu melhor!
Entre os grandes “ganhos” que a maturidade me trouxe destaco a enorme vantagem de ser mais generosa comigo mesma... de saber quais são os meus limites e que não preciso excedê-los para provar nada para ninguém. Minha luta continua sendo comigo mesma... e a prestação de contas com Deus! Por isso hoje, muito mais do que aos trinta ou quarenta, tenho a ousadia de ser eu mesma! De expor minhas opiniões, de ser autêntica e rir sem medo de gargalhar, de dançar do jeito que eu quiser (não fazia isso quando jovem! rs), de ser quem eu sou sem preocupar-me com o que vão pensar! De colocar a roupa que tenho vontade, sem pedir opinião a ninguém! De me portar diante da vida segundo os padrões que eu construí com as reflexões que fiz ao longo dos anos... Também aprendi a rir de mim mesma! A me perdoar pelos deslizes, a fazer piada das minhas mancadas... por que escolhi o bom humor como “companheiro de viagem”, e por que me compreendo aprendiz num processo em que o erro faz parte da aprendizagem.
Hoje sei expor, muito melhor do que antes, o que me desagrada, o que para mim avança o sinal do bom senso, da ética, do respeito... mas aprendi também (e esse é outro grande “ganho”) que cada um dá o que tem, que as pessoas são muito diferentes e não posso esperar que elas mudem ou que vejam o mundo pela minha ótica – só posso mudar a mim mesma, jamais ao outro.
Hoje estou mais tolerante comigo mesma... e me sinto muito melhor do que há anos atrás!
Aprendi a respeitar as diferenças... e a compreender que, definitivamente, cada um dá o que tem!
Sei das minhas dificuldades, mas descobri que não preciso fazer “queda de braço” com elas... rs
Sei que tudo e todos tem “dois lados”... e eu posso escolher por que lado enxergar as coisas!
Me aceito como sou – o “pacote” completo! E posso dizer que fiz as pazes comigo mesma.
Entendo o ser humano como um projeto de perfeição – e como todo projeto, há que aperfeiçoar-se, mudar aqui e ali, tentar melhorar sempre...
Na busca dessa perfeição surgem derrubadas e reconstruções, remodelagens, ousadias experimentais... rs
O melhor de tudo – o mais interessante e gostoso – é que no íntimo, bem lá no fundo, não sentimos a idade que temos! Podemos nos deliciar com o melhor que a maturidade nos trouxe e manter a alegria juvenil, a esperança, o vigor (não do corpo, mas da alma!), a determinação... qualidades que são do espírito imortal que somos, e que com o passar dos anos, se aprendemos bem as lições, só fica melhor!
E que venha a versão 5,1!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Metas...





Trate bem as pessoas que você ama... não economize delicadeza, gratidão, afeto!
Perdoe sem limites, sem impor condições...simplesmente perdoe! Isso tornará mais leve o caminhar...te levará a aproveitar melhor cada momento... Sem ressentimentos, sem questões menores a nublarem os dias ensolarados.
A vida é um grande presente...e tem caminhos surpreendentes! Ao longo dela vivemos tantas perdas...  ou será melhor dizermos "tantas mudanças"? Amigos que se afastam (que nunca imaginamos que um dia se afastariam!), amores "eternos" que terminam,  amores verdadeiros que se despedem de nós pela via da morte... mudanças de  emprego, colegas de trabalho com quem dividimos tantas conquistas e alegrias e que, de repente, não veremos mais! Casas nas quais moramos e que nos marcaram com cheiros, cores, espaços para sempre guardados em nossa memória...
Hoje entendo a sabedoria que há em viver cada momento como se fosse o último - vivê-lo por inteiro, intensamente, sem preocupação com o que virá - simplesmente se entregando à vida!
A vida corre célere. O relógio nunca para... mas há uma Sabedoria maior a conduzir tudo isto. 
A única coisa que guardamos e que levamos conosco são as vivências, as experiências... Levamos o amor partilhado, os sorrisos, os bons momentos vividos, o que conseguimos aprender...levamos a felicidade de um dia ensolarado, a lembrança gostosa de um banho de chuva, o gosto do sorvete preferido, a ansiedade do primeiro beijo... a deliciosa lembrança da gargalhada dos filhos, suas descobertas, seus primeiros passos... 
Ah...a vida!
Tão rica, pulsante, colorida...tão fugaz!
Trate bem as pessoas que você ama...por que no fim das contas você descobrirá que a vida em algum momento fatalmente os afastará e a única coisa que será tua de fato serão as lembranças queridas que levará.
Trago comigo tantas recordações...momentos deliciosos que se eternizaram! Momentos dos quais me lembro com um sorriso nos lábios... e às vezes lágrimas nos olhos...
Somos seres imortais, seres espirituais numa experiência material... e, por isso mesmo, a finitude nos sonda! Mas os momentos bem vividos, as amizades, os reencontros, os laços de família...tudo isto são conquistas que levaremos conosco neste caminho que nos cabe trilhar sós... ainda que acompanhados!
Descobri que a vida nos ensina, com maestria, a sermos sós - não solitários!
Por mais pessoas caminhem conosco, dividam o dia a dia, nos doem o seu amor e recebam o nosso...as escolhas são nossas, a diretriz da vida é dada por cada um de nós - e a colheita será igualmente individual! 
Um pai bem sucedido, inteligente, generoso, não conseguirá obrigar seu filho a ser como ele. Contribuirá de maneira importante com seu exemplo, mas a escolha será sempre do filho. Nesse sentido a  vida é um caminho que se trilha só. Ninguém escolherá por você, ninguém fará o que lhe cabe, escreverá o "script" da sua vida ...como também ninguém colherá o fruto de suas escolhas a não ser você.
Tenho pensado muito sobre o grande aprendizado de ser só - não solitária - e concluí que esta é a grande lição da vida: nascemos e morreremos sós, em que pese contarmos com mãos e braços amorosos a nos acolherem nas duas situações.
Ninguém fará a grande travessia por mim, ninguém sentirá minha dor ou minha alegria... mas por certo haverão amores desta e de outras vidas torcendo por mim, incentivando-me a marcha!
Por isso hoje, às portas de um novo ano, meu desejo para 2015 é viver intensamente cada momento - amar, rir , chorar, dançar, refletir e aprender, reformular conceitos, me reinventar...ajustar as lentes para enxergar a vida mais bonita, mais leve, mais "inteira"!
Olhar nos olhos de quem amo e dizer que amo...rir ainda mais, sorrir com ternura, abraçar com doçura... curtir cada momento!
Olhar nos olhos de quem ainda não amo e que também não me ama, reconhecendo nesta pessoa um aprendiz da vida, tal qual eu própria, mas exigindo dela o mesmo respeito que lhe dedico.
Dizer "não" quando isto vier de dentro, numa profunda conexão comigo mesma, sem concessões...
Dizer igualmente "sim", sem medo,  ao que vier ao encontro dos meus sonhos, dos meus desejos...
Por que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada com falsos "sim" e falsos "não".
Que o novo ano seja "leve", ainda que traga dificuldades... que seja um ano de novas vitórias e conquistas, de alegrias renovadas, de transformações e desafios...por que desafios são inevitáveis, são estimulantes...são a prova de que estamos VIVOS, na batalha.
E que venha 2015!!!